Canto do Buriti.
A moça abre a mala.
Levanta a tampa.
Salta a pesada carga que trouxe:
Poeiras que não são aquelas,
Securas de outras formas,
Lembranças que lhe travam a fala.
Fecha a mala,
antes tira de lá apenas um teso - o medo.
Uruçuí.
Senta numa pedra acerca de uma praia do Parnaíba.
Anda o rio,
Passa o agricultor de soja.
Desloca a primeira nuvem de sua visão.
Esta no semi-árido.
Tem tempo.
São Raimundo Nonato.
Hora de se religar ao elementar.
Comida que dá do cerrado ao chapadão.
Arte que recobre seu mais largo sorriso.
Amor que inspira toda a existência
seja de pedra, seja em vão.
Encontra ali,
Intocado,
o patrimônio da integridade de sua humanidade
Balsas.
Chora, vomita, grita, sente calor
Está tudo atravessando sua pele
Bebe em rosa e em doce.
Já brilha.
Colinas do Tocantins.
Outeiro das saudades.
Imperatriz.
Abre a mala na última parada antes de retornar
Salta a pesada carga que vem:
A comunhão com os homens e suas realizações
As verdades que apenas o chão sabe nos dizer
A Coragem que o viver exige das mulheres.
Fecha a mala,
Antes guarda lá apenas um teso - si mesma.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Penso logo resisto
Insisto já que respiro
Pressinto enquanto conspiro
Caminho nas margens da estrada
Sou curva de flama estranhada
O amanhã?
Diante da vida
diante da morte
Sei mesmo que sinto
sei mesmo do nada
Na palavra não preciso colonizar universos.
Está tudo aqui, dentro da caneta esferográfica.
Insisto já que respiro
Pressinto enquanto conspiro
Caminho nas margens da estrada
Sou curva de flama estranhada
O amanhã?
Diante da vida
diante da morte
Sei mesmo que sinto
sei mesmo do nada
Na palavra não preciso colonizar universos.
Está tudo aqui, dentro da caneta esferográfica.
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