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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Se o poeta falar num gato
Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!
De Mario Quintana em Esconderijos do Tempo
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!
De Mario Quintana em Esconderijos do Tempo
domingo, 12 de setembro de 2010
No descomeço era o verbo
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...
É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...
Fernando Pessoa
domingo, 6 de setembro de 2009
Poeta em suspensão
Mulher com fala atravessou a rua para me beijar.
Vestida de madrugada suspendeu meu primeiro juízo.
Não era tão osso. Tinha poesia nas ventas. Queria sempre outro copo.
Curti.
Segui.
Parti.
Mas ela bateu à minha porta com um poeta maior.
Com suas mãos tirou meu sexo das calças.
Curti mais ainda.
Aceitei brincar.
A três centímetros do chão
queria ser minha amiga
queria que cantasse com ela.
A nove centímetros do chão
me deu seus primeiros versos.
Emaranhados estavam seus mistérios.
Neste momento levantei da cadeira e me debrucei à janela.
O mais infeliz do infeliz dos homens me soprou o silêncio.
Ela viu e floriu
me deu mais versos para cheirar.
Vesti meu terno.
Fui desfilar alguma coisa aos seus ouvidos.
Ela foi ao mar.
Pediu um presente.
Salgou meus olhos e minha garganta.
Tinha pressa e não mais flores para dar
Era uma mulher, só, não um poeta.
Dobrou os lençóis, ligou o despertador, guardou as garrafas e seus poemas rasgados.
Não ligou a televisão porque não a tinha em casa.
Do seu coração escreveu este conto.
E saiu cheirosa em dó
macia que só
em sua nova pele violeta
Mulher derrotada
não sabe que acendeu três segundos de minha alma.
Vestida de madrugada suspendeu meu primeiro juízo.
Não era tão osso. Tinha poesia nas ventas. Queria sempre outro copo.
Curti.
Segui.
Parti.
Mas ela bateu à minha porta com um poeta maior.
Com suas mãos tirou meu sexo das calças.
Curti mais ainda.
Aceitei brincar.
A três centímetros do chão
queria ser minha amiga
queria que cantasse com ela.
A nove centímetros do chão
me deu seus primeiros versos.
Emaranhados estavam seus mistérios.
Neste momento levantei da cadeira e me debrucei à janela.
O mais infeliz do infeliz dos homens me soprou o silêncio.
Ela viu e floriu
me deu mais versos para cheirar.
Vesti meu terno.
Fui desfilar alguma coisa aos seus ouvidos.
Ela foi ao mar.
Pediu um presente.
Salgou meus olhos e minha garganta.
Tinha pressa e não mais flores para dar
Era uma mulher, só, não um poeta.
Dobrou os lençóis, ligou o despertador, guardou as garrafas e seus poemas rasgados.
Não ligou a televisão porque não a tinha em casa.
Do seu coração escreveu este conto.
E saiu cheirosa em dó
macia que só
em sua nova pele violeta
Mulher derrotada
não sabe que acendeu três segundos de minha alma.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
A Flauta Vértebra
A todos vocês, que eu amei e que eu amo,
ícones
guardados num coração-caverna,
como
quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto
de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
seria
melhor talvez pôr-me o ponto final de um balaço.
Em
todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!
Convoca
aos salões do cérebro um renque inumerável de amadas.
Verte
o riso de pupila em pupila,
veste
a noite de núpcias passadas.
De
corpo a corpo verta a alegria.
esta
noite ficará na História.
Hoje
executarei meus versos na flauta de minhas próprias vértebras.
Vladimir
Maiakovski
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