segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Saudade de tudo
![]() |
| Werner Bishop |
Saudade, essencial e
orgânica,
...de
horas passadas
que
eu podia viver e não vivi!...
Saudade
de gente que não conheço,
de
amigos nascidos noutras terras,
de
almas órfas e irmãs,
de
minha gente dispersa,
que
talvez ainha hoje espere por mim...
Saudade
triste do passado,
saudade
gloriosa do futuro,
saudade
de todos os presentes
vividos
fora de mim!...
Pressa!...
Ânsia
voraz de me fazer em muitos,
fome
angustiosa da fusão de tudo,
sede
da volta final
da
grande experiência:
uma
só alma em um só corpo,
uma
só alma-corpo,
um
só,
um!...
Como
quem fecha numa gota
o
Oceano,
afogado
no fundo de si mesmo...
João
Guimarães Rosa
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
O Girassol
Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel
Roda, roda, roda
Carrossel
Roda, roda, roda
Rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor
Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel
Roda, roda, roda
Carrossel
Gira, gira, gira
Girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol
Vinícius de Moraes
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel
Roda, roda, roda
Carrossel
Roda, roda, roda
Rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor
Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel
Roda, roda, roda
Carrossel
Gira, gira, gira
Girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol
Vinícius de Moraes
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Se cada dia cai
Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Pablo Neruda
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Pablo Neruda
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Menta
A beleza está no olho.
Alegria,
na vontade.
... amor, uma
poética garrafa de cana.
Navega,
rapaziada, navega.
Eita
vida barulhenta.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Defesa da Alegria
![]() |
| Haruo Horrara |
Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la
do escândalo e da rotina
da
miséria e dos miseráveis
...das
ausências transitórias
e
das definitivas
Defender
a alegria como um princípio
defendê-la
da surpresa e dos pesadelos
dos
neutros e dos nêutrons
das
doces infâmias
e
dos graves diagnósticos
Defender
a alegria com uma bandeira
defendê-la
do raio e da melancolia
dos
ingênuos e dos canalhas
da
retórica e das paradas cardíacas
das
endemias e das academias
Defender
a alegria como um destino
defendê-la
do fogo e dos bombeiros
dos
suicidas e dos homicidas
das
férias e do fardo
da
obrigação de estarmos alegres
Defender
a alegria como uma certeza
defendê-la
do óxido e da sujeira
da
famosa ilusão do tempo
do
relento e do oportunismo
dos
proxenetas do riso
Defender
a alegria como um direito
defendê-la
de deus e do inverno
das
maiúsculas e da morte
dos
sobrenomes e dos lamentos
do
azar e também da alegria
Mario
Benedetti
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Além da Terra, além do Céu
Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente,
acima das gramáticas e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver
Carlos Drummond de Andrade - em Amar se Aprende Amando
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente,
acima das gramáticas e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver
Carlos Drummond de Andrade - em Amar se Aprende Amando
domingo, 28 de novembro de 2010
APRENDIZAGEM DA PRIMAVERA
1.Depois
a mulher deitou-se
A sombra da terra
tombou sobre o céu
2. Não sei o que te invento
se amo mesmo quando não és
Não sei o que te amo
se te invento como és
Palavras que voltam
se não voltas
Cega-nos a mesma noite
o mesmo suspiro
de duas mãos entrelaçadas
Mia Couto, em RAÍZ DE ORVALHO E OUTROS POEMAS
a mulher deitou-se
A sombra da terra
tombou sobre o céu
2. Não sei o que te invento
se amo mesmo quando não és
Não sei o que te amo
se te invento como és
Palavras que voltam
se não voltas
Cega-nos a mesma noite
o mesmo suspiro
de duas mãos entrelaçadas
Mia Couto, em RAÍZ DE ORVALHO E OUTROS POEMAS
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