sábado, 5 de dezembro de 2015

lee.jin.ju

Quando o coração de amor
é obrigado a calar,
parece que todas as imagens
do mundo pegaram silêncio.
Examino minhas lágrimas,
estão cheias de vazios.
Não ver é dor.
Não ouvir é dor.
Não tocar é dor.
Não cheirar é dor.
Não provar é dor.
Se meus sentidos restritos
compreendessem bem
nossa condição de infinito
talvez doesse
menos essa absoluta ausência.
Não seria tão extensa
essa ferida.
Toda flor seria um bom consolo.
Para sobreviver
Manoel explica:
É preciso amarrar
o tempo no poste.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015


Lá onde pegaríamos sol
o homem cava um buraco.
Planta uma amoreira.
A chuva é forte.
Cresce tudo no jardim
mas nada que se faça
altera seu destino.
Sempre é dor
a água dos meus olhos.
Debruçada nesse buraco
sinto o vazio.
O silêncio a dor ensino.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015


Só dói 
quando eu respiro.
Quando alguém
não encara a dor
detém o próprio
curso da vida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

2.6


desembarquei 
no alvoroço do querer bem.
sem guia
com pouca água
os óculos escuros
esquecidos na prateleira.

não consultei nenhum oráculo
nem estava interessada em chegar 
a algum lugar.

quando era dia,
eu disse, sim
durante a tarde
eu disse, sim
anoitecia
eu disse, sim.

era o sim
sem ciência.

o fim.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015


A única forma
que conheço 
de enfrentar a vida
e a morte
é ter o coração aberto.
Sinto muito.
é a forma também
de fazer da vida 
e da morte
uma experiência intensa.

domingo, 29 de novembro de 2015

Tristeza

Estado no qual diferentes partes do corpo e da alma desenvolvem ao mesmo tempo inclinações para a dor e o cansaço. Os sintomas típicos incluem pernas fatigadas inadequadas para dança ou percursos longos. Cabeça pesada com pouco discernimento
do tempo. Ardência na região peitoral capaz de afetar
o sono e o sonho. Boca seca inclinada ao silêncio.
Ventre em nó.
Tratamento.
Os meios terapêuticos e mais viáveis para a tristeza são:
em qualquer hora do dia ou da noite
recorrer às lágrimas quantas vezes for necessário.
Administrar o tempo com paciência e confiança.
Se notar que os sintomas são severos, persistentes e comprometem gravemente o estado da alma,
recomenda-se

prescrever altas doses de colo e compaixão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015


Depois de novembro 
a vida não será mais a mesma.
Não há chuva 
que cale o seu silêncio
nem desejo que inverta
sua partida.
É fácil confundir
meu pensamento 
com o chorar.
Tua ausência
toma conta de mim
como se fosse
uma cratera.
Duas semanas
e não mudaste nada.
Permaneces 
essa estrela intocada 
que me cobre a vigília
e avisa:
não faremos juntos
um mês 
um ano
uma vida.
Seguiremos sozinhos
sem cantar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Vou roubar o seu afeto



Perto do fim
o sequestro.
de repente
tudo silencioso 
e vazio.
Não estará ali o amor
onde se possa alimentá-lo 
nos rios do seio.
A porta foi fechada
Não há como abri-la.
Cada peça do armário removida.
Terás que seguir sozinho
de pezinhos descalços.
Terás que carregar
dois quilos
trezentos e setenta gramas
de amor ausente em seu colo.
Enfrentar essa dor 
diante de tantos nãos.

sábado, 21 de novembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Nove e vinte



Esse dia
Essa perversa noite de raios
Ao invés da festa
O medo
Ao invés do choro
A máquina
Ao invés do colo
A separação.