Mostrando postagens com marcador Brad Holland. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brad Holland. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de maio de 2012

Ânsia


Não me deixem tranquilo
não me guardem sossego
eu quero a ânsia da onda
o eterno rebentar da espuma

As horas são-me escassas:
dai-me o tempo
ainda que o não mereça
que eu quero
ter outra vez
idades que nunca tive
para ser sempre
eu e a vida
nesta dança desencontrada
como se de corpos
tivéssemos trocado
para morrer vivendo


Mia Couto, em Raiz de Orvalho e outros poemas

Meu barro


Sofro de lonjuras.
Insisto em buscar o amor atrás do morro.
meu pai bem me disse:
o tamanho do buraco do peito
é a medida dos enlaçamentos.
Tudo começa no berço.
No colo da mão carinhosa
que cavuca na infância o jardim.
Se as panelas são quentes e fartas
Conte que haverá festa

Mesmo para a vida dura.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Brad Holland

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca

b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer

c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos

d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação

e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.

etc.
etc.
etc.

Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

Manoel de Barros