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quinta-feira, 10 de março de 2011

Estética da recepção


Turris eburnea.
Que o poeta brutalista é o espeto do cão.
Seu lar esburacado na lapa abrupta. Acolá ele vira onça
e cutuca o mundo com vara curta.
O mundo de dura crosta é de natural mudo,
e o poeta é o anjo da guarda
___________do santo do pau-oco.
Abre os poros, pipoca as pálpebras, e, com a pá virada,
mija em leque no cururu malocado na cruz da encruzilhada.
Cachaças para capotar e enrascar-se em palpos de aranha.

Ó mundo de surdas víboras sem papas nas línguas cindidas,
__________serpes, serpentes,
já que o poeta mimético se lambuza de mel silvestre,
carrega antenas de gafanhoto mas não posa de profeta:
________________________"Ó voz clamando no deserto."
Pois eu, pitonisa, falo que ele, poeta,
_______não permite que sua pele crie calo
dado que o mundo é de áspera epiderme
_____________como a casca rugosa de um fero rinoceronte
_____________ou de um extrapoemático elefante
posto que nas entranhas do poema os estofos do elefante
_______são sedas
_______________delicadezas
______________________carências de humano paquiderme.

É o mundo ocluso e mouco amasiado ao poeta gris e oco.
Caatinga de grotão seco atada à gamela de pirão pouco.
Suportar a vaziez.
Suportar a vaziez como um faquir que come sua própria fome
e, sem embargo, destituído quiçá do usucapião e usufruto do tino
com a debandada de qualquer noção de impresso prazo de jejum.

_____________Suportar a vaziez.
_____________Suportar a vaziez.
_____________Suportar a vaziez.


Sem fanfarras, o vazio não carece delas.

sábado, 15 de maio de 2010

Tu Tens um Medo

Acabar
Não vês que acabas todo o dia
Que morres no amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo

Que te renovas todo dia
No amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo

Que és sempre outro

Que és sempre o mesmo

Que morrerás por idades imensas

Até não teres medo de morrer

E então serás eterno

Cecília Meireles

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sete Chaves

Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minha grande história
passional, que guardei a sete chaves, e meu coração bate
incompassado entre gaufrettes. Conta mais essa história, me
aconselhas como um marechal-do-ar fazendo alegoria. Estou
tocada pelo fogo. Mais um roman à clé?
Eu nem respondo. Não sou dama nem mulher moderna.
Nem te conheço.
Então:
É daqui que tiro versos, desta festa - com arbítrio
silencioso e origem que não confesso - como quem apaga
seus pecados de seda, seus três monumentos pátrios, e passa o
ponto e as luvas.

Ana Cristina César