
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
além muito
da varanda
em vernal vagueio.
Mas se trouxe vastidão de mundo
não esqueceu de trazer acompanhada
vagarezas solitárias de vivências pessoais viandantes.
Decisão difícil deixar irem os tão poucos pandas que ainda há.
Quem me dera conhecer todas as palavras em suas infinitas combinações
para assim não violentar
tão vivamente
versos que vêem desesperados em voltar velejar pelos seus vasos.
Hoje peguei a vigésima segunda letra de vítima.
Vai ver foi por vontade de voar acompanhada.
Veja, voltear com versarias visões minhas na sua tela,
vou não.
Ventou nas verdades que eu tinha visto.
Só se for para vicejar suas vértebras.
Você não deixa.
Vale mais vaguear vivendo.
Ser poeta, a cada dia te nasce uma vírgula no ventre
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuro não te aperto
Mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus.
Carlos Drummond de Andrade
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuro não te aperto
Mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Os Degraus
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mario Quintana - Baú de Espantos
domingo, 27 de setembro de 2009
Primavera sempre vem
Pensamentos de folhagem nova avisam aos aflitos que primavera sempre vem.
Se é dia de chuva cinza,
vem supondo água mais presente do que derrame.
Está ali mesmo na morte de quem não partiu
lembrando-nos da necessidade da vida de quem ficou
– saciar a fome, produzir calor, aplacar o medo.
Em cada idade de um jeito e em sua precisão.
Se é de despedida a hora do corpo,
vem no sorriso moço da filha da filha.
Vem encurtando a distância entre outono e verão,
escalando janela em gomo de flor que tinta a retina na promessa do novo companheiro.
Em nosso passo apoucado esquecemos no frio que primavera tem precisão de existência.
Nosso olhar que é miudinho,
guardado nos ponteiros do relógio de bolso.
Olhamos o tempo em linha,
quando seu feitio é de roda
O tempo...
tem história de espalhar bum
É matéria de virar galáxia
Na gira, difícil é aceitar nosso destino de estrela.
Se é dia de chuva cinza,
vem supondo água mais presente do que derrame.
Está ali mesmo na morte de quem não partiu
lembrando-nos da necessidade da vida de quem ficou
– saciar a fome, produzir calor, aplacar o medo.
Em cada idade de um jeito e em sua precisão.
Se é de despedida a hora do corpo,
vem no sorriso moço da filha da filha.
Vem encurtando a distância entre outono e verão,
escalando janela em gomo de flor que tinta a retina na promessa do novo companheiro.
Em nosso passo apoucado esquecemos no frio que primavera tem precisão de existência.
Nosso olhar que é miudinho,
guardado nos ponteiros do relógio de bolso.
Olhamos o tempo em linha,
quando seu feitio é de roda
O tempo...
tem história de espalhar bum
É matéria de virar galáxia
Na gira, difícil é aceitar nosso destino de estrela.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Eu queria tanto
eu queria tanto
ser
um poeta maldito
a
massa sofrendo
enquanto
eu profundo medito
eu
queria tanto
ser
um poeta social
rosto
queimado
pelo
hálito das multidões
em
vez
olha
eu aqui
pondo
sal
nesta
sopa rala
que
mal vai dar para dois.
Paulo Leminski
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Aysso
Em você dei para variar.
Vagar entre as horas viradas escutando poemês com calda de fome desesperada.
Aprendi o quão comprido é a intenção das palavras que saem meladas em estopim de despedida.
Pois sim,
Peguei apreço pelas despedidas depois que na feira dos vivedouros despojei os pretéritos de meus bolsos.
Ai que desembestou a madrugada na gira, convencendo meus travesseiros a fazer patuscada no tambor do peito.
Desembaraços são como pedrinhas miudinhas indicando os caminhos que dão no não sei onde.
Acordei para os léxicos: Ramerrão. Preito. Rebramiam.
Delícias de enrolar os pensamentos. Foi isto que este encontro me deu.
Iluminura da vida. Um olho de gargalhadear as vontades.
Já sabia do sortido d'alma, só não sabia cantar.
Agora sei?
Trinta e três é bonito para nascer.
Vagar entre as horas viradas escutando poemês com calda de fome desesperada.
Aprendi o quão comprido é a intenção das palavras que saem meladas em estopim de despedida.
Pois sim,
Peguei apreço pelas despedidas depois que na feira dos vivedouros despojei os pretéritos de meus bolsos.
Ai que desembestou a madrugada na gira, convencendo meus travesseiros a fazer patuscada no tambor do peito.
Desembaraços são como pedrinhas miudinhas indicando os caminhos que dão no não sei onde.
Acordei para os léxicos: Ramerrão. Preito. Rebramiam.
Delícias de enrolar os pensamentos. Foi isto que este encontro me deu.
Iluminura da vida. Um olho de gargalhadear as vontades.
Já sabia do sortido d'alma, só não sabia cantar.
Agora sei?
Trinta e três é bonito para nascer.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O Animal da Floresta
De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração.
Espécie escassa de cedro,
pela cor
e porque abriga em seu âmago
a morte que o ameaça.
Madeira dói?
pergunta quem me vê os braços verdes,
os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira entre as estrelas
e o chão que me abençoa as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.
Thiago de Mello
se fez meu coração.
Espécie escassa de cedro,
pela cor
e porque abriga em seu âmago
a morte que o ameaça.
Madeira dói?
pergunta quem me vê os braços verdes,
os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira entre as estrelas
e o chão que me abençoa as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.
Thiago de Mello
Saudades
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
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